Compromissos individuais sem pensar no coletivo
Não raro nem incomum quando políticos que conversam, fazem
acordo político, acertos administrativos (que para uns é conchavo), que subiram
no mesmo palanque, pronunciaram as mesmas promessas rompem relações políticas
no máximo dois anos depois.
O mais recente racha aconteceu esta semana em Riachão do
Jacuípe quando o vice-prefeito, Tadeu Francisco, anunciou através dos meios de
comunicação da cidade que estava, a partir daquele instante, fora do Governo da
prefeita Tânia Matos, por discordar do andamento da gestão que não teria
cumprido parte das promessas, aliás, a que ele considera principais.
Filiado ao PT, que raramente admite ser segundo numa
coligação, pois se conta numa mão as vezes que isso aconteceu na Bahia porque o
partido acha ser superior aos outros, Francisco Tadeu deve ter também
responsabilidade se o governo não vai bem, como levaria os louros se estivesse
em boa situação na visão dele.
Um município com recursos limitados (R$ 44 milhões por ano
para 34 mil habitantes) na posição 3.834 no ranking da renda per capita dos
5.565 municípios brasileiros, portanto entre os mais pobres, com baixa
expectativa de rida da população, 119° na Bahia e numa área de clima que
castiga o povo e prejudica o desenvolvimento – o semiárido.
O comandante que abandona o barco demonstra falta de
espírito público e humano. Com o subcomandante não é diferente. E a nau não
está afundando. Trabalham dentro, e alguns agora em breve fora, para submergir
a embarcação.
Além disso, as administrações passadas – sem exceção - são
responsáveis por uma dívida que supera os R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões
de reais) que representam quase 4 anos de orçamento município.
É quase impossível realizar investimentos sem aporte forte
dos governos estadual e federal, o que não vimos nos últimos anos em Riachão do
Jacuípe. Pequenos recursos apenas são paliativos para os graves problemas na
educação, na saúde, no saneamento básico, na infraestrutura da cidade.
Um exemplo é a reforma do estádio Eliel Martins. A obra
orçada em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) teve R$ 60.000,00 (sessenta mil
reais) do município e o restante seria do Estado, que vem liberando a
conta-gotas não totalizando nem 30% do previsto até gora. De quem é a culpa?
Porque Francisco Tadeu não fala sobre isso? Ele é petista, do PT, que é o
Governo do Estado.
Mais: quase sempre são bloqueadas verbas do município para
pagar dividas de gestores descompromissados com a causa pública. Como é o caso
do rombo e do baque em razão do que se deve ao INSS. E tem que pagar.
Abandonar o Governo com o argumento de que não se vinha
cumprindo o acordado é falácia. O PT fez isso em 2009 em Candeias com Maria
Maia, mas remotamente com Lídice d Mata, em Salvador, e com o próprio João
Henrique no primeiro mandato do ex-prefeito da capital baiana. Por isso, nunca
ganhou nem governou Salvador.
O certo é que essa decisão vai ao encontro do desejo de
Tadeu ser candidato a Prefeito em 2016, assim como tem secretário no Governo Tânia
que tem esse objetivo.
Riachão do Jacuípe é uma cidade com estrutura administrativa
sucateada, erros históricos e parcos recursos públicos para gerir.
Yancey Cerqueira
Radialista - DRT-BA 006
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