Especialista explica por que a perda de peso nos seis
primeiros meses é
mais fácil do que o período de manutenção do peso perdido
após um ano
Por Cristiane PerroniRio de Janeiro
O Eu Atleta completa dois anos e neste mesmo período
alcançamos muitos casos de sucesso no acompanhamento de indivíduos que queriam
reduzir peso, recuperar a saúde, aumentar a massa muscular, melhorar a
performance esportiva e introduzir hábitos saudáveis de vida.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a perda de peso
segura e saudável deve ser realizada através de programa alimentar para redução
de 500gr a 1kg de peso por semana, o que significa restringir de 500 a 1000
calorias diárias. A obesidade está associada, além das doenças metabólicas, à
asma, alterações articulares, problemas psicológicos e sociais diversos,
diminuição da autoconfiança e autoestima, depressão, ansiedade e insatisfação
com o corpo.
O acompanhamento deve ser ao longo prazo para que novos
hábitos sejam incorporados. Entretanto, quando reduzimos apenas 10% do peso
corporal vários marcadores bioquímicos (ex: glicose, hemoglobina glicada,
insulina, ácido úrico entre outros) e a pressão arterial já melhoram.
Revisões sistemáticas na literatura científica sobre dietas
de emagrecimento têm demonstrado eficácia na perda de peso em qualquer tipo de
dieta (contagem de calorias, restrição de determinado grupo alimentar, dieta de
proteína...) nos seis primeiros meses, mas com grande dificuldade para
manutenção do peso perdido após um ano.
Um caso de sucesso é a história da Paula. Em Maio de 2013,
aos 22 anos, ela iniciou um acompanhamento nutricional para redução de peso.
Seu peso inicial era de 111kg e IMC 37kg/m2 (obesidade grau 2). Ela praticava
handball de uma a duas vezes por semana e corrida em média 5km de duas a três
vezes, era saudável, com exames laboratoriais dentro dos valores de referência,
mas sofria com “efeito sanfona” e com a dificuldade para controle de peso desde
a infância. O objetivo do tratamento era chegar aos 75kg.
O acompanhamento foi realizado a cada duas semanas para
monitorar o peso e reorganizar o programa alimentar. Desta forma, Paula não
perdia o foco, revíamos as metas e fazíamos modificações para viagens, datas
festivas e retomadas em possíveis “altos e baixos” normais em qualquer
tratamento a longo prazo para redução de peso. Além da preocupação com o
comportamento alimentar, foi fundamental a variação e evolução da prática
esportiva para melhora da composição corporal, reduzindo o percentual de
gordura e promovendo aumento de massa muscular.
Quando elaboramos o programa alimentar e fazemos o cálculo
da dieta levamos em consideração o peso inicial e, conforme o peso diminuirá, o
valor calórico desta dieta também irá reduzindo. Um indivíduo que inicia o
tratamento com 100kg terá uma dieta com calorias maiores do que quando ele
alcançar 70 kg. A primeira dieta é a de maior número de calorias. Na prática,
não tem como reduzirmos sempre o que estamos ingerindo, existe um limite de
restrição que deve ser feito. Por isso é fundamental aliar exercício físico ao
programa alimentar, desta forma não será necessário fazer grande restrição
calórica e também modificar a composição corporal. Lembrando que, quanto maior
a massa muscular, maior é a nossa aceleração metabólica, mais calorias gastamos
parados.
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à saúde
Atualmente, um ano e cinco meses depois, ela alcançou 82 kg,
IMC 27kg/m2 (sobrepeso) percentual de gordura 26,9%, e tem ainda como objetivo
reduzir o peso para 75kg, percentual de gordura abaixo de 25% e diminuir o
tempo em corridas de 10km. Paula faz musculação com personal trainer três vezes
por semana e atividades aeróbicas variadas (corrida e spinning) de quatro a
cinco vezes por semana. Paula é uma grande história de sucesso: determinação,
foco e persistência.
Disciplina, constância e negociação são as palavras chaves
na manutenção do peso perdido. O nutricionista é um grande parceiro nas
negociações, facilitador do caminho e não deve ser visto como policial ou
alguém que irá julgá-lo. É fundamental controlar a qualidade dos alimentos e o
tamanho das porções.
O controle de peso é crônico, precisamos reduzir a nossa
ansiedade, sair do sedentarismo, aumentar a variedade de grupos alimentares
ingeridos, reduzir a ingestão de alimentos com alta densidade calórica e
procurar outros prazeres além da comida. Portanto, é preciso mudar o estilo de
vida, se retomar o comportamento alimentar e o estilo de vida anterior o
reganho de peso é certo.
* As informações e opiniões emitidas neste texto são de
inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao
ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.


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